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Fisiologia - o estudo das funções

 

 

 

NUTRIÇÃO: A OBTENÇÃO DE MATÉRIA E ENERGIA PARA O ORGANISMO

      

Para poder sobreviver os organismos vivos necessitam de abastecer-se de substâncias com as quais obtêm energia e materiais para o reparo de seu desgaste.

Se o organismo é jovem, parte desse material é destinada ao crescimento.

Através da nutrição o ser vivo obtém os átomos e as moléculas das substâncias que formam seu corpo.

Chama-se nutriente a qualquer substância essencial à manutenção da vida.

Os alimentos que ingerimos diariamente contêm esses nutrientes que podem ser classificados em macronutrientes e micronutrientes.

Como o próprio nome diz, macronutrientes são aqueles necessários em grande quantidade Os nutrientes necessários em pequenas quantidades são denominados micronutrientes.

 

Com relação à nutrição, os seres vivos podem ser divididos em dois grandes grupos:

os autótrofos e os heterótrofos.

 

Os organismos dotados de clorofila são capazes de realizar o processo conhecido como fotossíntese.

Pela fotossíntese eles transformam as substâncias minerais retiradas do ambiente (gás carbônico, água e sais minerais) em moléculas orgânicas formadoras de seu corpo.

São os organismos autótrofos fotossintetizadores.

Para a transformação das substâncias minerais em moléculas orgânicas é fundamental a energia da luz do Sol, que é transformada em energia química, ficando armazenada nos compostos orgânicos formados.

Algumas bactérias do solo também são autótrofas, só que não usam a energia da luz do Sol, mas sim a energia liberada nas reações de oxidação de minerais.

São os organismos autótrofos quimiossintetizadores, pois usam a energia química para fabricar compostos orgânicos.

Os outros seres vivos (animais, fungos, protozoários, etc.) dependem dos seres autótrofos para obter a matéria-prima necessária à construção de seu corpo e à produção de energia.

São os organismos heterótrofos.

 

Todas as células necessitam de alimentos que utilizam, em parte para obter energia e, em parte, como material de construção. Para os indivíduos heterótrofos, porém, os alimentos não se encontram no ambiente numa forma que lhes permita sua utilização direta pelas células. As grandes moléculas que deles fazem parte terão de ser desdobradas em moléculas menores, e essa é a finalidade da digestão.

 

A Digestão: A Quebra das Moléculas Grandes

 

Dá-se o nome de digestão às transformações químicas por que sofrem os alimentos a fim de serem incorporados e utilizados pelas células.

Tais transformações envolvem a fragmentação e a hidrólise de grandes moléculas, que são reduzidas a moléculas menores, solúveis em água e facilmente absorvíveis pelas células.

 

Podemos dividir o processo digestivo em três etapas.

 

Ø        Fragmentação das partículas nutritivas. Consiste na trituração dos alimentos. Para isso alguns animais dispõem de estruturas especializadas. Assim, os mamíferos, os répteis e os peixes dispõem de dentes; as aves utilizam a moela; os equinóides possuem a lanterna-de-aristóteles; os moluscos possuem a rádula; alguns artrópodos utilizam as mandíbulas, etc.

Ø        Redução das partículas alimentares em produtos solúveis.

Ø        Absorção dos nutrientes.

 

Há três tipos básicos de digestão: intracelular, extracelular e extracorpórea.

 

Ø        A digestão intracelular ocorre no interior de vacúolos do citoplasma (vacúolos digestivos) graças à ação das enzimas dos lisossomos. É um tipo de digestão encontrado em protozoários e células de alguns animais como os coanócitos dos poríferos e os leucócitos e macrófagos dos vertebrados.

Ø        A digestão extracelular ocorre fora das células, ou seja, numa cavidade (trato digestivo) ou fora do corpo. Esse tipo de digestão é encontrado em anelídeos, nematelmintos, equinodermos, moluscos, artrópodes, protocordados e vertebrados.

Ø        A digestão extracorpórea acontece nos fungos e aranhas. Esses organismos lançam para fora suas enzimas digestivas e depois absorvem os nutrientes já digeridos. As cobras e estrelas-do-mar pré-digerem seus alimentos.

 

A Digestão Extracelular

 

O sistema digestório dos animais é a sede principal das transformações dos alimentos.

 

Pode ser completo (tubo digestivo dotado de duas aberturas: boca e ânus) e incompleto (tubo digestivo com uma única abertura – encontrado nos cnidários e platelmintos).

Em alguns grupos de animais o sistema digestório não termina no ânus, mas numa cavidade denominada cloaca. Possuem cloaca os peixes, os anfíbios, os répteis, as aves e os mamíferos monotremados.

 

O sistema digestório completo consta de um tubo digestivo e glândulas anexas.

O tubo digestivo dos mamíferos é constituído de boca, faringe, esôfago, estômago, intestino e ânus. O intestino apresenta duas porções: o delgado (6 - constituído de duodeno e jejuno-íleo) e o grosso (constituído de ceco, colo e reto).

As glândulas anexas são o fígado, o pâncreas  e as glândulas salivares. O fígado apresenta um órgão em forma de bolsa (a vesícula biliar) onde fica armazenada a bile. Esse órgão possui um duto de desembocadura no duodeno (o canal colédoco) por onde a bile é eliminada no intestino.

As aves possuem uma dilatação no esôfago (o papo) onde o alimento é amolecido, e seu estômago possui duas porções: o proventrículo e a moela. No proventrículo ocorre a digestão química de proteínas e a moela faz o papel de dentes, triturando os alimentos. O papo é encontrado também em anelídeos e moluscos com a mesma finalidade: amolecer os alimentos.

 

Veremos como acontece a digestão extracelular nos seres humanos.

 

Após a mastigação, o alimento é deglutido. Na faringe, no esôfago, no estômago e nos intestinos ele é impelido pelos movimentos peristálticos, cuja ação é involuntária, controlada pelo sistema nervoso autônomo. Ao passar em órgãos como a boca, o estômago e o intestino, os alimentos sofrem ações químicas dos sucos digestivos.

 

Podemos dividir o processo químico da digestão em etapas que ocorrem em órgãos diversos com nomes diferentes: insalivação (ocorre na boca), quimificação (ocorre no estômago) e quilificação (ocorre no intestino).

 

Ø        Insalivação

o          glândulas salivares – saliva

  • Ptialina ou amilase salivar – amido

Ø        Quimificação

o          Estômago – suco gástrico

  • Pepsina

  • Renina

  • Ácido clorídrico

Ø        Quilificação

o          Suco entérico

§       Maltase

§       Lactase

§       Peptidase

§       Lípase entérica

§       Invertase (sucrase)

o          Suco pancreático

§       Tripsina

§       Quimotripsina

§       Nucleases

§       Lípase pancreática

§       Amilase pancreática

o          Bile – fígado – não contém enzimas

 

Condições para a insalivação     

 

Ø        Ação do sistema nervoso autônomo parassimpático, estimulando a secreção de saliva. Essa ação se faz por mecanismos reflexos: estímulo da visão, cheiro e gosto dos alimentos.

Ø        Valor ótimo de pH ao redor de 7,0; aproximadamente neutro.

Ø        Ação da saliva, que contém a enzima ptialina ou amilase salivar. Sob a ação da amilase, o amido hidrolisa-se, reduzindo-se a compostos de cadeia menor até chegar à maltose.

 

Amido + H2O     --->     maltose

 

 

Condições para a quimificação

 

Ø        Ação do sistema nervoso. A visão, o cheiro e o sabor dos alimentos provocam uma reação do sistema nervoso que envia impulsos às células da parede do estômago para que este secrete o suco gástrico.

Ø        Ação do suco gástrico que contém essencialmente água, ácido clorídrico e enzimas.

Ø        A pepsina provoca o rompimento das ligações peptídicas entre os aminoácidos das proteínas, fragmentando-as em peptídeos.

 

Proteínas + H2O     --->      peptídeos

 

A renina produz a coagulação das proteínas do leite permitindo que elas fiquem mais tempo no estômago para que a sua digestão seja mais completa.

O ácido clorídrico proporciona um pH ao redor de 2,0; que é um valor ótimo para a atividade da pepsina. Além disso, tem ação germicida, reduzindo a fermentação bacteriana.

 

Condições para a quilificação

 

O intestino delgado está separado do estômago por uma válvula de estrutura muscular denominada piloro. Sua primeira porção, de cerca de l5 cm de comprimento, é o duodeno, seguindo-se ao jejuno-íleo que se comunica com o intestino grosso. São as seguintes as condições para ocorrer a quilificação:

 

Ø        Valor ótimo de pH igual a 8,0. (O suco pancreático é rico em bicarbonato de sódio e tem efeito alcalino).

Ø        Ação do sistema nervoso autônomo, estimulando a secreção intestinal.

Ø        Ação hormonal. A ação das gorduras do quimo provoca a liberação da bile e do suco pancreático.

Ø        Ação dos sucos digestivos. 

 

A bile, embora não contenha enzimas, possui sais biliares que facilitam a emulsificação das gorduras, favorecendo a ação das lipases sobre as gotículas de gordura da emulsão e a solubilização dos produtos finais da digestão, para que possam introduzir-se nos vasos linfáticos da mucosa intestinal.

 

A hidrólise das proteínas é catalisada pela tripsina e pela quimotripsina, enzimas do suco pancreático, que as transformam em peptídeos. Estes, hidrolisados pelas peptidases, convertem-se em aminoácidos.

 

Proteínas + H2O     --->     peptídeos

Peptídeos + H2O     --->     aminoácidos

 

O amido não digerido na boca, sob a ação da amilase pancreática, é transformado em maltose.

Os dissacarídeos (maltose, sacarose e lactose) são transformados em monossacarídeos.

 

Maltose + H2O     --->      glicose + glicose

 

Sacarose + H2O     --->      glicose + frutose

 

Lactose + H2O     --->      glicose + galactose

 

As gorduras são inicialmente emulsificadas pela bile e, posteriormente, hidrolisadas pelas lipases entérica e pancreática que as transformam em ácidos graxos e glicerol.

 

Gorduras + bile     --->      gordura emulsificada

Gordura emulsificada     --->      ácidos graxos + glicerol

 

As nucleases catalisam a hidrólise de ácidos nucléicos, transformando-os em nucleotídeos.

 

A absorção dos nutrientes

 

Essa é a última etapa, consiste na penetração dos produtos da digestão através da mucosa intestinal.

Os produtos não aproveitáveis sofrem desidratação no intestino grosso, transformando-se num material pastoso e castanho denominado fezes, que é eliminado do organismo através da defecação.

 

Os monossacarídeos e os aminoácidos são absorvidos pela parede do intestino delgado e transportados pela corrente sangüínea aos vários tecidos.

 

 

Os ácidos graxos são absorvidos pelos vasos linfáticos.

 

A água, as vitaminas e os sais minerais não sofrem digestão, portanto são absorvidos integralmente pelos capilares sangüíneos.

 

Uma parcela da glicose absorvida é utilizada como fonte de energia na respiração; a outra parte é armazenada no fígado e nos músculos na forma de glicogênio.

Os ácidos graxos são utilizados em parte como fonte de energia; o restante é empregado na síntese de gorduras.

Os aminoácidos são utilizados para a síntese de novas proteínas, que podem formar estruturas celulares, pigmentos respiratórios, enzimas, hormônios, anticorpos e coagulantes sangüíneos.

 

 

A RESPIRAÇÃO: AS TROCAS GASOSAS ENTRE O ORGANISMO E O MEIO

 

Respiração é o conjunto de processos cuja finalidade é a liberação da energia contida em moléculas de compostos orgânicos existentes no interior das células (carboidratos, ácidos graxos, aminoácidos).

Tais moléculas constituem os metabólitos, e sua oxidação produz catabólitos (resíduos) e libera energia.

Essa energia é aproveitada na execução das reações químicas posteriores que completam o metabolismo celular.

Além disso, é utilizada para manter a temperatura corporal dos animais homotermos.

O principal metabólito utilizado pelas células é a glicose. Por isso, é comum representar-se a respiração pela equação:

 

C6H12O6 + 6O2     --->      6CO2 + 6H2O + Energia

 

Essa equação se refere à respiração no nível celular.

 

No nível do organismo podemos dizer que a respiração é o fenômeno de trocas gasosas entre o organismo e o ambiente, isto é, aquisição de oxigênio (O2) e liberação de gás carbônico (CO2).

 

Os seres que utilizam o oxigênio para a respiração são aeróbios e os que não utilizam o oxigênio são anaeróbios (bactérias, fungos).

 

Os vegetais absorvem o O2 e eliminam o CO2 através da superfície corporal, pois, mesmo em uma planta de grande porte, a superfície de contato com o ambiente é extensa. Isto porque seu corpo é ramificado e suas folhas (onde ocorrem a maior parte das trocas gasosas) têm grande área relativa.

Nos vegetais terrestres, a epiderme apresenta uma camada protetora e impermeável de cutina que evita a perda excessiva de água pela transpiração, mas também dificulta as trocas gasosas. Nesse caso, existem aberturas na epiderme das folhas e caules, os estômatos (partes verdes) e as lenticelas (partes velhas), por onde o oxigênio e o gás carbônico entram e saem. 

 

Os Mecanismos das Trocas Gasosas nos animais

 

Ø        Pele: respiração cutânea.

Ø        Brânquias: são apêndices respiratórios bem vascularizados, constituídos de filamentos delgados cobertos por uma delicada epiderme de superfície ampla, apropriados para o meio aquático.

Ø        Traquéias e filotraquéias: são tubos finos que se ramificam a partir da superfície do corpo até o interior dos tecidos, permitindo a difusão de O2 do ar para os tecidos e do CO2 dos tecidos para as traquéias. A difusão dos gases é auxiliada por movimentos do tórax e do abdome, que promovem a distensão das traquéias de calibre maior, facilitando o bombeamento do ar. A abertura das traquéias na superfície do corpo denomina-se estigma ou espiráculo.  Na porção anterior ventral do abdome dos aracnídeos há um par de estigmas que se comunicam com cavidades cujas paredes apresentam lâminas foliares ricamente vascularizadas, por onde acontecem as trocas gasosas. São as filotraquéias.

Ø        Pulmões: são órgãos respiratórios típicos de vertebrados terrestres, constituídos por uma ou mais câmaras revestidas internamente por um epitélio úmido, ricamente vascularizado, com superfície ampla, que permite a absorção do O2 diretamente do ar atmosférico. Nos mamíferos, os pulmões são alveolares, isto é, os bronquíolos se subdividem, terminando em numerosos e minúsculos ‘saquinhos’ (os alvéolos pulmonares), que são ricamente vascularizados.

 

A Respiração nos Mamíferos

 

Para o mecanismo de captura de O2 e eliminação do CO2, os mamíferos dispõem de um sistema constituído de vias aéreas e de dois pulmões, que são revestidos pela pleura.

 

As vias aéreas compreendem as narinas, fossas nasais, faringe, laringe, traquéia e os brônquios. No interior dos pulmões, os brônquios estão subdivididos em tubos de calibre mais fino (os bronquíolos) que terminam nos alvéolos pulmonares. Nas paredes externas dos alvéolos existem numerosos capilares onde se processam as trocas gasosas.

Anexo ao sistema respiratório dos mamíferos, existe o músculo diafragma e os músculos intercostais.

O diafragma é exclusivo dos mamíferos, tem a forma de cúpula e separa a cavidade torácica da abdominal.

 

Nesses animais a respiração compreende dois tipos de fenômenos: mecânicos e químicos.

 

Os fenômenos mecânicos compreendem a inspiração e a expiração.

 

A inspiração consiste na entrada de ar nos pulmões.

Com a contração do diafragma e dos músculos intercostais, que elevam as costelas, o volume da caixa torácica fica aumentado. Com o aumento do volume da caixa torácica e dos pulmões, a pressão intrapulmonar diminui. Como o ar atmosférico encontra-se a uma pressão maior, penetra pelas vias aéreas no interior dos pulmões até que as pressões se igualem.

Na expiração os músculos se relaxam. Diminui o volume dos pulmões. A pressão no interior dos pulmões torna-se maior do que a do ar atmosférico. Com isso o ar é eliminado dos pulmões. Dentro dos alvéolos pulmonares realiza-se uma troca gasosa.

 

Como no ar inspirado a pressão parcial do O2 é maior do que a sua pressão no sangue, o O2 difunde-se para o interior dos capilares dos alvéolos. E o inverso acontece com o CO2. O ar expirado contém cerca de 100 vezes mais CO2 do que o ar inspirado.

 

O fenômeno químico da respiração se chama hematose e acontece nos alvéolos pulmonares.

O oxigênio é muito pouco solúvel em água, logo é também pouco solúvel no plasma sangüíneo. Por isso muitos animais possuem proteínas combinadas a um metal que facilitam a absorção e o transporte dos gases. São os pigmentos respiratórios dos quais vamos estudar apenas a hemoglobina.

A hemoglobina é formada por uma molécula protéica combinada a um grupo molecular não-protéico contendo ferro. Tem cor vermelha e é encontrada nas hemácias dos vertebrados e no plasma de alguns anelídeos, moluscos e artrópodes. Uma única molécula de hemoglobina pode ligar-se a quatro moléculas de oxigênio, formando um composto instável denominado oxiemoglobina.

 

Hb + O2     --->      HbO2

           

O transporte do O2

 

A combinação dos pigmentos respiratórios com o O2, ou a separação dessas substâncias, depende da pressão parcial desse gás.

Nos alvéolos pulmonares dos mamíferos a pressão parcial do O2 é alta, enquanto nos tecidos é baixa. Quando o ar penetra nos alvéolos pulmonares o O2 é absorvido pelas hemácias e combina-se com a hemoglobina, formando oxiemoglobina (HbO2). Dessa forma, o sangue venoso transforma-se em sangue arterial. Essa transformação é chamada de hematose.

A hemoglobina tem afinidade por outras substâncias, especialmente o monóxido de carbono (CO). Nesse caso, forma-se um composto estável (a carboxiemoglobina - HbCO) que impeede a combinação do oxigênio com a hemoglobina e o seu transporte pelo sangue, podendo provocar a morte por falta de oxigenação.

Quando o sangue chega aos tecidos, a hemoglobina, totalmente saturada de oxigênio, libera esse elemento que será utilizado na ‘combustão’ dos alimentos pelas células para a liberação de energia.

 

Nos pulmões: Hb + O2     --->      HbO2

Nos tecidos: HbO2     --->      Hb + O2

O2 + alimentos     --->      CO2 + H2O + energia

 

Se a tensão de O2 no sangue descer a menos de 40 mm/Hg, o fornecimento de oxigênio às células reduzir-se-á a zero, causando-lhe a morte.

 

A queda no abastecimento de oxigênio pode ser causada por:

 

Ø        Insuficiência de sangue para a captação do O2, como nas hemorragias;

Ø        Incapacidade de utilização do O2 pela alteração ou bloqueio de enzimas da cadeia respiratória. (O cianeto bloqueia uma das enzimas respiratórias);

Ø        Redução da ventilação alveolar (a bronquite causa um excesso de muco que impede a passagem do ar) ou perda da elasticidade dos alvéolos pulmonares ou a sua ruptura (enfisema pulmonar);

Ø        Redução da tensão de O2 em grandes altitudes (produz fadiga, tonturas e falta de ar). Nesse caso, o organismo aumenta a produção de hemácias, fornecendo uma taxa maior de hemoglobina e compensando o baixo teor de O2.

 

O transporte de CO2

 

O transporte desse gás é complexo.

Uma pequena parte é dissolvida no plasma. Outra pequena parte se prende à hemoglobina, formando a carboemoglobina. A maior parte, porém, é carregada na forma de íons bicarbonato dissolvidos no plasma.

 

A respiração é controlada pelo bulbo raquidiano que controla os movimentos dos músculos intercostais e do diafragma, e que reage aos altos teores de CO2, baixos teores de O2 ou ao aumento da acidez do sangue, mantendo a homeostase (equilíbrio interno).

 

 

A CIRCULAÇÃO E O TRANSPORTE DE SUBSTÂNCIAS

        

A circulação é o fluxo de líquidos e células que conduzem de uma parte a outra do organismo substâncias nutritivas e metabólicas, bem como gases respiratórios e elementos do sistema imunitário. Compreende a circulação sanguínea e a circulação linfática.

O transporte é o fluxo de substâncias nutritivas, mas não gases respiratórios, através de um sistema de canais pela estrutura das plantas.   

 

O Transporte de Substâncias nos Vegetais

 

Os vegetais retiram do ambiente água e sais minerais. Esta solução, chamada de seiva bruta, inorgânica ou mineral, deve ser levada para as folhas, onde servirá de matéria-prima para a fotossíntese. O transporte da seiva bruta é feito através dos vasos lenhosos que formam o xilema ou lenho.

 Utilizando a seiva bruta e o gás carbônico do ar, as folhas fabricam as substâncias orgânicas necessárias ao seu corpo. Uma parte dessas substâncias permanece na folha; outra parte, dissolvida na água, é transportada pelos vasos liberianos para todo o vegetal, recebendo o nome de seiva elaborada ou orgânica. O transporte da seiva elaborada é feito através dos vasos liberianos que formam o floema ou líber.

 

A transpiração nas folhas é o fator mais importante nesse transporte.

Para que a planta efetue uma boa fotossíntese, os estômatos das folhas devem abrir-se, ocorrendo então uma inevitável perda de água por transpiração. Como conseqüência, as células das folhas tornam-se mais concentradas e, por osmose, absorvem água dos vasos lenhosos próximos, juntamente com sais minerais. Esta absorção cria uma constante tensão na coluna líquida, puxando-a.

A absorção de água do solo pelas raízes repõe a quantidade perdida na transpiração e garante a continuidade do processo.  

 

As substâncias orgânicas fabricadas nas folhas pela fotossíntese são levadas tanto para a raiz e o caule, como para o ápice da planta. Dissolvidas na água há várias substâncias orgânicas como aminoácidos, carboidratos e alguns íons minerais.

Essas substâncias são transportadas pelos mecanismos de osmose e transporte ativo.

 

O Transporte de Substâncias nos Animais

 

Nos animais de maior complexidade, surgiu um mecanismo de transporte mais complicado, com a formação de canais definidos para fluir o sangue ou a hemolinfa com válvulas situadas em posições tais que permitam o fluxo somente numa direção.

 

A hemolinfa é o fluido circulante dos animais invertebrados em geral.

É uma mistura de água com várias substâncias nela dissolvidas, havendo muitas vezes um pigmento respiratório (molécula que transporta os gases respiratórios).

Nos insetos o sangue não tem função respiratória, funcionando apenas para transportar alimentos, excretas e hormônios.

Nos animais vertebrados o fluido circulante é constituído pelo sangue e pela linfa.

 

Toda a massa de líquido em circulação nos animais necessita de um sistema de bombeamento funcionando de maneira contínua para manter o fluido em movimento.

 

Os principais mecanismos de bombeamento são:

Ø        Vasos contráteis, encontrados em anelídeos, artrópodes e protocordados

Ø        Coração dividido em compartimentos, encontrado em moluscos e vertebrados

 

A Circulação no Homem

 

O sistema circulatório humano consta de coração e de vasos (sangüíneos e linfáticos).

 

Os vasos sangüíneos estão distribuídos em artérias, veias e capilares.

Fisiologicamente, a artéria difere da veia pelo sentido do fluxo sangüíneo em seu interior. Assim, as artérias transportam o sangue do coração aos tecidos enquanto as veias o fazem dos tecidos ao coração. No interior das grandes veias há válvulas para garantir o fluxo de sangue num só sentido.

 Esses vasos estão ligados entre si de tal maneira que o sangue completa o circuito sem sair deles. Por isso se diz que essa circulação é fechada.

As artérias e veias se ramificam em vasos de calibre menor chamados de arteríolas e vênulas, que terminam em vasos de calibre muito pequeno, chamados de capilares.

 

O coração humano situa-se na caixa torácica, num espaço denominado mediastino, entre os dois pulmões. Tem o tamanho de um punho fechado. É um órgão musculoso e oco, dividido em 4 compartimentos: átrios (dois superiores) e ventrículos (dois inferiores).

O coração funciona como uma bomba hidráulica, recolhendo e enviando o sangue para todas as partes do organismo. Na realidade, são duas bombas, uma do lado direito, formada pelo átrio e ventrículo direito e outra do lado esquerdo, formada pelo átrio e ventrículo esquerdo. Do lado direito circula o sangue venoso, que contém grande porcentagem de CO2 e que vem dos órgãos e depois vai aos pulmões. Do lado esquerdo circula sangue arterial, que contém grande porcentagem de O2 e que vem dos pulmões e depois vai aos demais órgãos. No coração, o sangue circula dos átrios para os ventrículos.

 

Para impedir o refluxo do sangue, o coração dispõe de válvulas: a tricúspide situada no orifício atrioventricular direito e a mitral ou bicúspide situada no orifício atrioventricular esquerdo. Do ventrículo direito o sangue segue para a artéria pulmonar, e do ventrículo esquerdo o sangue segue para a artéria aorta. Na saída desses vasos existem as válvulas semilunares ou sigmóides para impedir o retorno do fluxo. O sangue de todo o organismo chega ao coração pelas veias cavas,entrando no átrio direito e pelas veias pulmonares entrando no átrio esquerdo.

 

O coração é revestido por duas membranas serosas (internamente pelo endocárdio e externamente pelo pericárdio). Entre essas membranas há um músculo espesso responsável pelo funcionamento do órgão (o miocárdio). O ventrículo esquerdo tem a parede mais espessa, pois necessita bombear o sangue para todo o corpo.

 

O coração humano possui um automatismo próprio devido a um tecido condutor especializado – o marcapasso.

O tecido cardíaco é capaz de se auto-estimular, de tempos em tempos, mantendo o ritmo de funcionamento, produzindo a contração do órgão, seguida de um relaxamento.

Em cada contração do miocárdio a pressão sangüínea, no adulto, se eleva para 12 cm/Hg; em cada relaxamento a pressão cai para 8 cm/Hg.

Cada contração é denominada de sístole e cada relaxamento é denominado de diástole. Tanto a sístole como a diástole se iniciam nos átrios e terminam nos ventrículos. O conjunto de uma sístole e uma diástole denomina-se batimento cardíaco. Ao número de batimentos cardíacos por minuto denomina-se freqüência cardíaca.

Em atividade normal, a freqüência cardíaca varia em torno de 80, podendo aumentar em razão de exercícios físicos ou estados emocionais.

Ao aumento da freqüência cardíaca denomina-se taquicardia; a sua diminuição é a braquicardia.

O tecido cardíaco está relacionado com o bulbo nervoso (sistema nervoso autônomo). O hormônio acetilcolina diminui a freqüência cardíaca enquanto a adrenalina aumenta.

 

 

Durante a circulação, o sangue percorre dois caminhos: a circulação pulmonar (pequeno) e a circulação sistêmica (grande).

Na circulação pulmonar o sangue venoso sai do ventrículo direito pela artéria pulmonar e vai aos pulmões, onde ocorrem trocas gasosas, voltando arterial pelas veias pulmonares e penetrando pelo átrio esquerdo. Na circulação sistêmica o sangue arterial sai do ventrículo esquerdo levando oxigênio a todos os sistemas e volta venoso ao átrio direito.

 

 

Tipos de Circulação

 

Nos animais a circulação pode ser aberta ou fechada.

 

Ø        A circulação aberta ocorre nos artrópodes, moluscos e protocordados. É realizada por um conjunto de vasos que se originam no coração e se ramificam intensamente, terminando em cavidades (lacunas). Nessas lacunas o sangue fornece nutrientes aos tecidos e recolhe os resíduos metabólicos. Depois de irrigar os tecidos o sangue é captado por outros vasos e volta ao coração. Durante esse trajeto o sangue passa pelos órgãos respiratórios onde se realizam as trocas gasosas, levando o oxigênio ao coração e ao resto do corpo. O movimento do sangue é vagaroso, pois esses organismos não necessitam de grandes quantidades de alimentos ou oxigênio.

Ø        A circulação fechada ocorre nos anelídeos e vertebrados. A corrente sangüínea é impulsionada pelo coração ou vasos contráteis. O sangue se move rapidamente e não sai dos vasos.

      

Nos animais vertebrados, a circulação é fechada e se divide em simples e dupla.

 

Ø        A circulação é simples quando pelo coração passa apenas o sangue venoso. Ocorre nos peixes e nos ciclostomados.

Ø        A circulação é dupla quando pelo coração passam sangue venoso e arterial. Ocorre nos anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

 

O coração dos peixes apresenta duas cavidades: um átrio e um ventrículo. A circulação é fechada, simples e completa. Do átrio o sangue venoso passa ao ventrículo, seguindo pela artéria branquial que ao chegar nas brânquias se ramifica em arteríolas e capilares. Aí acontecem as trocas gasosas, perdendo CO2 e recebendo O2 o sangue fica arterial. Esse sangue irriga todo o corpo, tornando-se venoso e voltando ao coração.

O coração dos anfíbios compõe-se de três cavidades: dois átrios e 1 ventrículo. O átrio direito recebe sangue venoso proveniente dos órgãos. O átrio esquerdo recebe sangue arterial dos pulmões. Os sangues venoso e arterial se misturam no ventrículo e essa mistura segue para os órgãos. Dos órgãos o sangue venoso retorna ao coração. A circulação é fechada e dupla, porém incompleta, pois existe mistura dos sangues arterial e venoso.        

O coração dos répteis em geral consta de dois átrios e 1 ventrículo incompletamente separado em duas lojas por um septo. No átrio direito entra sangue venoso e no átrio esquerdo entra sangue arterial. No ventrículo esses sangues se misturam. É uma circulação fechada, dupla e incompleta, como nos anfíbios. Nos répteis crocodilianos existe uma nítida separação do ventrículo em duas lojas.

O coração das aves e dos mamíferos apresenta quatro cavidades (dois átrios e 2 ventrículos) e não acontece mistura de sangues venoso e arterial. Nesses animais a circulação é fechada, dupla e completa.

 

No homem, o sangue completa uma volta (coração -> tecidos -> coração) em menos de um minuto.

 

A Circulação Linfática

 

Nos interstícios dos tecidos, onde se encontram os capilares sangüíneos, existem também capilares linfáticos que convergem para vasos linfáticos. Ao longo desses vasos existem nódulos ganglionares chamados de gânglios linfáticos ou linfonodos. Esses gânglios estão distribuídos em diferentes áreas do corpo. Neles se formam os linfócitos (leucócitos especializados em produzir anticorpos). Esses leucócitos, misturados com plasma, formam a linfa.

 

Quando algum componente estranho ao organismo (vírus, bactéria, etc.) invade os tecidos, os gânglios ficam intumescidos devido a uma superprodução de leucócitos. 

Além da função de defesa contra micróbios, o sistema linfático absorve, no intestino, os produtos da digestão das gorduras (ácidos graxos e glicerol) e os distribui para o sangue.

Os vasos linfáticos se reúnem e terminam em dois grandes vasos: o canal torácico que se comunica com a veia subclávia esquerda, e a grande veia linfática que termina na veia subclávia direita. Dessa forma a linfa é devolvida para o sangue.

 

   

A EXCREÇÃO: A ELIMINAÇÃO DE PRODUTOS INDESEJÁVEIS

 

Nos animais, a oxidação de materiais derivados dos alimentos para a liberação de energia, sejam eles proteínas, carboidratos ou lipídios, produz CO2 e H2O

Como as proteínas contêm o nitrogênio em sua composição originam, também, catabólitos nitrogenados como a uréia, a amônia e o ácido úrico.

O sangue, ou o fluido corpóreo deve ter uma composição mais ou menos constante para que haja um equilíbrio dinâmico (homeostase). Logo, alguns compostos não podem permanecer no organismo ou por serem prejudiciais ou por estarem em excesso.

 

A eliminação dos resíduos do metabolismo (catabólitos) e das substâncias em excesso denomina-se excreção.

 

Portanto as fezes não constituem excreção, pois são originadas de produtos não digeridos e que não foram absorvidos pelas células, formando apenas materiais de egestão. O CO2 é eliminado através dos órgãos respiratórios ou através da superfície do corpo. Os demais compostos são eliminados através de estruturas que variam conforme a espécie.

 

Parte da excreção dos vegetais ocorre no nível celular; os resíduos, como o ácido oxálico, permanecem no interior da célula na forma de cristais. O amoníaco e o CO2 podem ser levados para as folhas pelos vasos lenhosos e aproveitados na fotossíntese ou eliminados pelos estômatos por transpiração. Em algumas plantas existem aberturas nas bordas das folhas, os hidatódios, que eliminam água na forma líquida. Muitos resíduos vegetais são eliminados por meio da queda das folhas ou armazenados em estado sólido no interior do caule. 

 

A Excreção dos Compostos Nitrogenados nos Animais

 

Da digestão das proteínas resultam os aminoácidos que, depois de absorvidos, podem ter dois destinos:

 

Ø        Alguns serão utilizados pelos ribossomos para a síntese de novas proteínas;

Ø        Outros serão oxidados para fornecer energia. Nesse caso, os aminoácidos liberam grupos NH2 que vão formar a amônia (NH3). Como a amônia é um produto muito tóxico e bastante solúvel na água deve ser eliminada. Nos animais aquáticos esse processo é facilitado pela grande quantidade de água que eliminam. Nos animais terrestres, a amônia é convertida, no fígado, em uréia e ácido úrico.

 

Os animais apresentam formas diferentes de eliminar os compostos nitrogenados

 

Ø        Os aquáticos: esponjas, celenterados, crustáceos, moluscos, equinodermos, larvas de anfíbios e peixes ósseos eliminam amônia e grande quantidade de água (amoniotélicos);

Ø        Anfíbios adultos, peixes cartilaginosos e mamíferos eliminam uréia, acompanhada de certa quantidade de água (ureotélicos);

Ø        Os insetos, os répteis e as aves eliminam ácido úrico e pouquíssima água, pois o ácido úrico é praticamente insolúvel em água (uricotélicos).

 

Nos animais vertebrados a excreção é feita por meio dos rins que retiram os resíduos do sangue. O sistema urinário dos mamíferos é formado por dois rins e pelas vias urinárias (bacinetes, ureteres, bexiga e uretra).

 

Os rins são dois órgãos castanho-avermelhados, situados na parte posterior da cavidade abdominal logo abaixo do diafragma, um de cada lado da coluna vertebral. Têm formato semelhante a um feijão. Apresentam uma face convexa e outra côncava, de onde saem o bacinete, vasos sangüíneos e nervos. São envolvidos por uma cápsula de tecido conjuntivo.

A unidade renal responsável pela filtração do sangue e formação da urina é chamada de néfron e é constituída pelo glomérulo renal e túbulo urinífero.

 

No homem, a excreção de CO2 e vapor de água é feita através dos pulmões; a de suor pela pele; e a de urina pelos rins.

A pele, além de ser um órgão especializado para a excreção, relaciona-se também com a manutenção da temperatura corporal. A evaporação do suor retira o excesso de calor do corpo e do ar próximo à sua superfície. O sistema urinário elimina os compostos nitrogenados e o excesso de água e de sais minerais do corpo, assegurando que o seu volume líquido e a sua pressão osmótica se mantenham constantes.

 

São três as funções básicas dos rins:

 

Ø        remoção de resíduos do plasma;

Ø        controle da quantidade de água e sais nos líquidos corpóreos;

Ø        manutenção de um pH que produz leve alcalinidade nos fluidos orgânicos.

 

O trabalho renal engloba dois processos:

 

Ø        Ultrafiltração do plasma sangüíneo nos glomérulos renais;

Ø        Reabsorção de algumas substâncias do filtrado capsular, nos túbulos renais.

 

Por ultrafiltração entende-se o processo pelo qual o sangue, ao passar pelos glomérulos, perde substâncias de baixo peso molecular. São filtrados, por dia, cerca de 180 litros de fluido. A média de volume urinário produzido diariamente é de cerca de 1,5 litros. Isso significa que grande parte da água filtrada é reabsorvida juntamente com outras substâncias. No filtrado capsular encontra-se água, íons (Na+, Cl-, etc.), glicose, aminoácidos, amônia, uréia, ácido úrico, pigmentos amarelos, etc. O Na+, a glicose e certos aminoácidos são reabsorvidos.

 

Quando a glicose não é reabsorvida integralmente, parte dela é eliminada através da urina, caracterizando o diabetes melito (glicosúria). A reabsorção do excesso de água do filtrado capsular é controlada pelo hormônio vasopressina ou antidiurético (ADH).

 

A Osmorregulação nos Animais

 

Toda vez que o suprimento de água para o organismo se reduz, a concentração do ADH tende a aumentar no sangue e os rins passam a reter mais água e a quantidade de urina diminui. Ao contrário, quando o organismo está bem suprido de água a concentração de ADH diminui no sangue, a reabsorção de água pelos rins se reduz e a urina aumenta em quantidade.

 

As perturbações na produção de ADH causam o diabetes insípido, anomalia na qual o indivíduo, não produzindo ADH, elimina grandes quantidades de urina diluída (poliúria) e conseqüentemente ingere grandes quantidades de água.

 

Certas substâncias, como o álcool, bloqueiam a síntese de ADH.

Por isso, após uma bebedeira o indivíduo urina muito.

Perdendo água, passa a sentir muita sede (ressaca).

 

Em protozoários, peixes e outros animais o equilíbrio osmótico depende da água e da concentração salina.

Os protozoários marinhos são isotônicos em relação ao meio e não necessitam de osmorregulação.

Os protozoários de água doce são hipertônicos em relação ao meio e absorvem água através da membrana.

O excesso de água é eliminado através de vacúolos.

Certos répteis e aves eliminam o excesso de sal por meio de glândulas.

 

 

A COORDENAÇÃO

 

O Controle do Ambiente Interno e das Respostas ao Ambiente

 

Nos metazoários existe a necessidade de um sistema que integre e coordene as diversas partes do organismo para a realização das várias funções. Essa coordenação é feita pelos sistemas nervoso e endócrino.

 

O sistema nervoso atua através de impulsos nervosos (mensagens elétricas).

O sistema endócrino é um conjunto de glândulas que agem por meio de hormônios (mensagens químicas).

Enquanto os hormônios apresentam efeito lento e duradouro os impulsos nervosos têm ação rápida e momentânea. O sistema nervoso recebe as informações do ambiente, analisa-as, armazena-as e produz uma resposta adequada.

 

Mesmo em organismos unicelulares já se encontra uma capacidade de responder a estímulos do ambiente. O movimento em direção a um estímulo é chamado de tactismo e pode ser observado também nos glóbulos brancos dos animais superiores.

Os vegetais apresentam irritabilidade, (capacidade de reagir a estímulos externos), reagindo apenas através de hormônios. O crescimento orientado do vegetal em reação a um estímulo é chamado de tropismo (fototropismo – luz; geotropismo - terra). As plantas são também capazes de executar movimentos não orientados em resposta a um estímulo. Essas respostas são chamadas de nastismos e podem ser observadas nas plantas carnívoras e na sensitiva. Quando essas plantas são tocadas elas se fecham.

 

 

A Coordenação Nervosa nos Animais

 

Nos cordados o sistema nervoso se forma na fase embrionária como um tubo (tubo neural) que depois se divide originando o cérebro, hipotálamo, cerebelo e o bulbo raquidiano.

 

As mensagens elétricas são transmitidas através de células especiais do sistema nervoso chamadas de neurônios.

Cada neurônio consta fundamentalmente de um corpo celular e de prolongamentos, os dendritos e axônios.

O corpo celular é castanho-acinzentado, enquanto o axônio é branco devido ao revestimento de mielina.

O impulso elétrico é transmitido no sentido dendrito--->corpo celular--->axônio.

 

Os neurônios sensoriais ou sensitivos conduzem impulsos dos órgãos sensoriais. Os neurônios motores conduzem os impulsos para um músculo ou uma glândula.

 

Entre um neurônio e outro ou entre um neurônio e um músculo (ou glândula) existe um pequeno espaço chamada de sinapse. Nesse espaço é liberada pelo neurônio uma substância (neurotransmissor) cuja finalidade é promover a transmissão do impulso entre os neurônios. Entre elas citamos a acetilcolina, a adrenalina, a serotonina, etc.

 

Numerosos corpos celulares reunidos num mesmo local formam o gânglio nervoso.

Numerosos axônios ou dendritos envolvidos por uma bainha de tecido conjuntivo formam o nervo.

 

 

O Sistema Nervoso dos Vertebrados

 

Sistema nervoso central

Ø        Encéfalo

o         Cérebro

o         Cerebelo

o         Bulbo raquiano

Ø        Medula raquiana

 

Sistema nervoso periférico

Ø        Nervos cranianos – 12 pares

Ø        Nervos raquianos – 31 pares

 

Sistema nervoso autônomo

Ø        Simpático

Ø        Parassimpático

 

O Sistema Nervoso Central, através de neurônios sensoriais, recebe informações do meio ambiente e do organismo, analisa as informações recebidas e elabora uma resposta que será transmitida, por meio de neurônios motores, aos sistemas somático e autônomo.

 

O encéfalo e a medula nervosa são revestidos e protegidos por três membranas denominadas de meninges.

Em contato direto com a massa nervosa fica a pia-máter, que é fina e delicada. Em contato com o interior do crânio e a parede do canal vertebral fica a dura-máter. Entre elas fica a aracnóide, constituída de células que se ligam formando uma estrutura que lembra uma teia de aranha.

 

Na região periférica do cérebro e do cerebelo e na região central da medula raquidiana, os corpos celulares dos neurônios encontram-se concentrados em regiões distintas, originando a substância cinzenta. No interior do cérebro e do cerebelo e na periferia da medula nervosa, concentram-se os axônios, cujo revestimento de cor branca (a mielina), forma a substância branca.

 

Todos os órgãos do sistema nervoso central estão mergulhados em um fluido, o líquido cefalorraquidiano ou líquor. A sua função é amortecer os choques mecânicos, protegendo o encéfalo e a medula; transportar nutrientes recebidos do sangue e levar para o sangue os produtos residuais.

 

Nos mamíferos e aves, o cérebro corresponde à maior parte do encéfalo. É dividido em duas metades denominadas de hemisférios cerebrais. Sua superfície é lisa nos peixes, anfíbios, répteis e aves; e nos mamíferos é dotada de circunvoluções (expansões sinuosas) separadas entre si por cissuras (sulcos).

O cérebro apresenta uma região periférica (o córtex cerebral) de cor cinzenta e uma região interna de cor branca. Ele comanda as ações voluntárias, a sensibilidade, a memória, o pensamento, a inteligência, a aprendizagem e os atos inconscientes. Os hemisférios cerebrais estão unidos entre si por grupos de axônios que formam o corpo caloso. Cada região ou área do córtex cerebral é especializada em diferentes atividades: sensorial (analisa informações dos receptores sensoriais), motora (controla os movimentos voluntários), de associação (elabora os pensamentos e a compreensão dos fatos).                 

 

O cerebelo é a parte do encéfalo responsável pelo equilíbrio do corpo e a coordenação dos movimentos. Mantém o tônus muscular (estado de contratura permanente). Relaciona-se com o labirinto (ouvido interno) recebendo informações relativas às posições do corpo (equilíbrio).

 

Bulbo raquiano é um órgão condutor de impulsos nervosos. Relaciona-se, também com o controle cárdio-respiratório, com a pressão sangüínea e com alguns reflexos (piscar os olhos, secretar lágrimas e vomitar).

 

O tálamo fica situado entre o cérebro e o tronco cerebral. Envia informações dos órgãos dos sentidos para as áreas sensoriais do córtex cerebral e transmite as informações motoras para os músculos. O hipotálamo fica na base do tálamo. Controla a temperatura corporal e sintetiza certos hormônios para a hipófise.

 

Medula raquiana é o prolongamento do encéfalo e passa pelo interior do canal vertebral. Externamente é formada pela substância branca e internamente pela substância cinzenta. A medula tem como funções básicas a condução de impulsos nervosos sensoriais e motores e é o centro nervoso de certos atos reflexos.

 

O Sistema Nervoso Periférico é um conjunto de nervos que estabelece as relações entre o sistema nervoso central e os diversos órgãos do indivíduo, recebendo impulsos sensoriais e conduzindo impulsos motores. Consta de 12 pares de nervos cranianos, que partem do encéfalo, e 31 pares de nervos raquidianos, que partem da medula. Os nervos cranianos podem ser sensoriais, motores ou mistos. Os nervos raquidianos são todos mistos, a raiz anterior ou ventral é motora e a raiz posterior ou dorsal é sensorial.

 

Estímulo ou excitação é a energia (pressão, calor, eletricidade, som, etc.) capaz de produzir uma reação na matéria viva.

Sob a ação de determinados estímulos o organismo reage rápida e involuntariamente, são os atos reflexos. Ao tocar em objetos quentes ou pontiagudos retiramos a mão imediatamente; a visão de certos alimentos aumenta a produção de saliva, etc.

A medula raquiana é o principal órgão desses atos. O reflexo medular mais simples é o reflexo patelar ou do joelho; uma batida com um martelo de borracha abaixo da patela (rótula) faz com que a perna se levante involuntariamente.

Os reflexos constituem geralmente um mecanismo de defesa a fim de evitar a lesão em um órgão.

 

O Sistema Nervoso Autônomo é um sistema involuntário, controla os movimentos dos músculos lisos de todos os sistemas, as glândulas e o músculo estriado cardíaco.

É chamado também de neurovegetativo porque regula as funções da vida vegetativa (digestão, respiração, circulação e excreção), bem como a temperatura corporal, as secreções glandulares e a reprodução.

O sistema neurovegetativo compreende os sistemas simpático e parassimpático.

Apesar de autônomos, esses sistemas encontram-se integrados ao sistema nervoso central.

O sistema nervoso simpático origina-se das porções torácica e lombar da medula raquidiana. Ligados aos nervos raquidianos por meio de pares de gânglios, saem nervos que formam redes nervosas ou plexos (cardíaco: do coração, solar: do estômago, mesentérico: do intestino). As fibras nervosas do sistema parassimpático originam-se no tronco cerebral e na medula sacra.

 

Os dois sistemas têm funções antagônicas, predominando a necessidade do órgão em garantir seu desempenho adequado.

 

 

Os Hormônios: A Coordenação Química dos Animais

 

As glândulas são órgãos que produzem, armazenam e eliminam substâncias que são chamadas de secreções.

Quando uma glândula lança suas secreções diretamente no sangue é chamada de endócrina ou de secreção interna. Seus produtos são chamados de hormônios.

O conjunto dessas glândulas denomina-se sistema endócrino e seu estudo é conhecido como Endocrinologia.

 

O sistema endócrino faz a coordenação química do nosso corpo, colocando em harmonia as suas partes e relacionando-as umas às outras.

 

Os hormônios são compostos orgânicos de natureza química variada e que atuam nas reações do metabolismo, do crescimento, das funções reprodutoras e do desenvolvimento em geral. Desempenham papel importantíssimo na homeostase, regulando os níveis de vários componentes do plasma sangüíneo. Os hormônios circulam pelo sangue, indo da sua origem até o local de sua atuação; um mesmo hormônio pode ter mais de um alvo; o hormônio de uma glândula pode interferir na produção de hormônios de outra glândula. Variações nos níveis hormonais podem acarretar distúrbios orgânicos.

 

Fazem parte do sistema endócrino: a hipófise, a tireóide, as paratireóides, o timo, as supra-renais, as gônadas, o timo e o pâncreas .

 

A hipófise ou pituitária, nos seres humanos, localiza-se logo abaixo do hipotálamo, encaixada numa concavidade do osso esfenóide. É um pouco maior do que uma ervilha, embora tenha muitas funções. É chamada de glândula mestra porque se relaciona com todo o organismo e dirige o funcionamento de outras glândulas e, por sua vez, é controlada pelo hipotálamo.

A hipófise diferencia-se em três porções: anterior ou adenoipófise (de origem epitelial), posterior ou neuroipófise (de origem nervosa) e a intermediária.

A adenoipófise atua sobre o sistema ósseo, tireóide, ovários, testículos e mamas. Produz vários hormônios:

 

Ø        STH ou somatotrofina: age no crescimento do indivíduo, atuando nas divisões celulares de vários tecidos. A deficiência desse hormônio na infância acarreta o nanismo; e o excesso de produção na infância e adolescência leva ao gigantismo. Se o excesso de produção acontecer após a adolescência surgirá a acromegalia (crescimento exagerado das mãos, pés e mandíbula)

Ø        TSH ou hormônio tireotrófico: estimula a produção dos hormônios T3 e T4 pela tireóide.

Ø        ACTH ou hormônio adrenocorticotrófico: estimula a secreção dos hormônios corticóides das supra-renais.

Ø        GH ou gonadotrófico (FSH e LH): o FSH, nas mulheres, estimula os ovários a produzir os folículos que contêm os óvulos; nos homens, estimula a produção de espermatozóides pelos testículos. O LH, nas mulheres, estimula a formação do corpo lúteo (corpo amarelo) na região do folículo onde havia o óvulo; nos homens, estimula a produção de testosterona (hormônio sexual) pelos testículos.

Ø        LTH ou prolactina: atua na secreção do leite após o parto e que é estimulada pela amamentação.

 

A hipófise intermediária age na produção de hormônios que atuam na pigmentação da pele.

 

A neuroipófise não é secretora. Apenas armazena e distribui os hormônios produzidos no hipotálamo (ADH e ocitocina)

Ø        O ADH (antidiurético ou vasopressina) aumenta a permeabilidade à água pelas paredes dos túbulos renais. Com a reabsorção de parte da água diminui o volume de urina. A falta desse hormônio causa o diabetes insípido.

Ø        A ocitocina estimula as contrações dos músculos uterinos durante o parto e estimula as glândulas mamárias durante a lactação.

 

Tireóide: localiza-se na porção anterior do pescoço, sobre os primeiros anéis da traquéia.

Ø        Os hormônios T3 e T4 estimulam as atividades metabólicas, atuando no crescimento e no desenvolvimento do indivíduo. O hipotireoidismo ou deficiência na produção de T3 e T4 produz pele grossa e áspera, comportamento físico lento, cabelos secos e quebradiços, freqüência cardíaca abaixo do normal, aumento de peso, intolerância ao frio e apatia. Quando ocorre na criança, afeta o seu desenvolvimento físico e mental, produzindo o nanismo e cretinismo (retardamento mental). O hipertireoidismo ou produção excessiva de T3 e T4 aumenta a taxa metabólica e apesar de ingerir grandes quantidades de alimentos a pessoa sofre perda de peso, diminuindo o volume muscular e o volume do tecido cutâneo, a pessoa sente muito calor e transpira muito, a circulação e a pulsação ficam muito rápidas, a tireóide pode ficar levemente crescida e os olhos ficam muito arregalados.

Ø        A calcitonina estimula o depósito de cálcio nos ossos e a redução dele no plasma sangüíneo.

 

O bócio ocorre quando a alimentação é deficiente em iodo ou quando o iodo não é absorvido normalmente; nesse caso a tireóide cresce demasiadamente.

 

Paratireóides: são dois pares de glândulas situadas na porção posterior da tireóide.

Seu hormônio (paratormônio) retira o cálcio dos ossos, aumentando o nível desse elemento no sangue.

Em conjunto com a calcitonina, mantém o nível de cálcio no sangue.

A deficiência de paratormônio produz uma queda no teor de cálcio no sangue, conduzindo a um quadro de convulsões que poderá levar à morte.

 

As supra-renais ou ad-renais ficam localizadas sobre os rins. Apresentam duas regiões estruturalmente distintas: a cortical (externa) e a medular (interna).

Na região cortical ou córtex são secretados hormônios do grupo dos esteróides conhecidos como corticosteróides que controlam a concentração de sais no organismo e atuam no metabolismo dos glicídios, proteínas e lipídios. Entre eles está a hidrocortisona que diminui a permeabilidade capilar e é usada em medicina como antiinflamatório.

Na região medular são secretadas a adrenalina e a noradrenalina.

Ø        A noradrenalina atua na manutenção da pressão sangüínea.

Ø        A adrenalina produz a contração dos vasos sangüíneos, aumento da pressão arterial e da freqüência cardíaca, maior concentração de sangue nos músculos e outros órgãos, deixando o organismo pronto a reagir em situações de susto, fortes emoções, raiva, medo ou fuga.

 

Pâncreas : secreta o glucagon e a insulina.

Esses hormônios regulam a taxa de glicemia no sangue, mantendo-a entre 90 a 100 mg por 100 ml de sangue. Uma produção insuficiente de insulina causa a hiperglicemia (aumento da taxa de glicose no sangue), a urina passa a eliminar glicose (glicosúria), caracterizando o diabetes melito ou sacarino.

Ø        A insulina aumenta a permeabilidade das células à glicose.

Ø        O glucagon atua no fígado, estimulando a despolimerização do glicogênio em glicose.

 

Gônadas: são os órgãos produtores de gametas e de hormônios sexuais.

São os testículos (masculinos) e os ovários (femininos).

Sob a ação do FSH e do LH, as gônadas vão produzir os hormônios sexuais.

Ø        Os testículos produzem a testosterona que estimula a espermatogênese e, durante a puberdade, provocam o desenvolvimento dos testículos e dos caracteres secundários masculinos (configuração corporal, crescimento e distribuição dos pêlos, engrossamento da voz) e o surgimento da libido (instinto sexual).

Ø        O ovário produz o estrógeno que desenvolve os caracteres sexuais secundários femininos (configuração corporal, crescimento e distribuição dos pêlos) e o surgimento da libido; e a progesterona que prepara o organismo da mulher para a gravidez. Se ocorrer uma gravidez, a placenta secreta a gonadotrofina coriônica que estimula o ovário a manter o nível de progesterona, garantindo a gravidez.

 

Epífise ou pineal: situa-se entre os dois hemisférios cerebrais, posterior à hipófise. Sua função ainda não é bem conhecida. Parece influenciar o desenvolvimento físico, psíquico e social do indivíduo.

 

Timo: Situa-se na região mediana do tórax, à frente do coração e entre os dois pulmões. É bem desenvolvida nas crianças, cresce até a puberdade e regride nos adultos. Está ligado ao sistema imunitário, produzindo linfócitos T.

 

 

OS SENTIDOS

 

O Relacionamento com o Ambiente e com os Outros Seres

 

Os cinco sentidos básicos que nos permitem uma verdadeira vida de relação com o ambiente são: a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato.

 

Para a percepção dos sentidos são necessárias três estruturas:

 

Ø        Receptores: estruturas que recebem o estímulo;

Ø        Condutores: nervos que conduzem ao cérebro os impulsos nervosos;

Ø        Transformadores: centros nervosos do córtex cerebral que transformam o impulso nervoso em percepção.

 

A Visão

 

Os olhos são os órgãos especializados para a percepção da luz, conseqüentemente, da visão.

 

Cada globo ocular é formado por 3 camadas:

Ø        Esclerótica: de cor branca, é formada por tecido conjuntivo fibroso. Na parte anterior do olho, torna-se muito fino, transparente e delicado, formando a córnea.

Ø        Coróide: também formada de tecido conjuntivo. Suas células são muito pigmentadas, fornecendo a cor do olho. A parte visível através da córnea recebe o nome de íris, em cujo centro existe um orifício circular que é a pupila. A íris possui fibras musculares lisas ao redor da pupila que controlam seu diâmetro de acordo com a intensidade da luz.

Ø        Retina: envoltório mais interno. Tem estrutura nervosa composta por neurônios muito especializados. Na parte posterior do olho existe uma depressão, a mácula-lútea, onde a luz deve ser projetada. Os cones são os neurônios que distinguem as cores e os bastonetes são neurônios que só captam o preto e o branco.

 

Além dessas camadas, o olho apresenta vários meios transparentes:

 

Ø        Córnea. Parte transparente da esclerótica.

Ø        Humor aquoso: situado abaixo da córnea, na câmara anterior.

Ø        Cristalino: com aspecto de lente biconvexa é sustentado por músculos que o alongam ou curvam, acomodando e focalizando os raios luminosos sobre a mácula-lútea.

Ø        Humor vítreo: meio espesso que preenche a câmara posterior, localizada atrás do cristalino e preenchendo o interior do globo ocular.

 

A formação da imagem na retina segue as seguintes etapas:

 

o         controle da entrada de luz pelas variações do diâmetro da pupila;

o         acomodação do cristalino pela ação dos músculos;

o         projeção da imagem na mácula-lútea;

o         irritação dos cones e bastonetes pela decomposição dos pigmentos fotossensíveis.

 

A Audição

 

O órgão receptor da audição é o ouvido.

 

Ele se compõe de 3 partes:

 

Ø        Ouvido externo: compreende o pavilhão da orelha e o canal auditivo externo, onde existem células produtoras do cerume.

Ø        Ouvido médio: separado do ouvido externo pela membrana do tímpano, apresenta uma câmara com 3 ossinhos, o martelo, a bigorna e o estribo, que recebem e conduzem as vibrações do tímpano. Comunica-se com a faringe através da trompa de Eustáquio, que permite o controle da pressão interna do ar.

Ø        Ouvido interno: é chamado de labirinto. Divide-se em duas partes, o vestíbulo e o caracol ou cóclea. No vestíbulo existe uma dilatação – o utrículo – que sustenta três canais semicirculares. O interior desses canais é preenchido por um líquido contendo minúsculas pedrinhas de carbonato de cálcio, os otólitos. Ao mover a cabeça, a posição dos otólitos se modifica, o que nos dá a sensação de posição e equilíbrio. A cóclea é a parte responsável pela audição, ela transforma impulsos sonoros em impulsos elétricos (nervosos).

 

A Olfação

 

Localizada na mucosa pituitária olfativa que reveste o interior das fossas nasais, é a capacidade de perceber e distinguir os cheiros.

As moléculas ou partículas odoríficas do ar são captadas pelas células receptoras que transmitem o impulso ao cérebro.

 

A Gustação

 

O paladar ou gustação é o sentido que nos permite perceber e distinguir os sabores e fica localizado na língua.

 

As estruturas receptoras são as papilas linguais que se dividem em:

 

Ø        papilas táteis (filiformes)

Ø        papilas gustativas.

 

As papilas gustativas são de dois tipos:

 

Ø        Caliciformes: em forma de cálice; grandes; situadas na parte posterior da língua, formando o V lingual. Percebem melhor o sabor amargo.

Ø        Fungiformes: com formato de fungo; muito pequenas; espalhadas por toda a face superior e porções laterais da língua. Percebem os sabores doce, salgado e azedo.

 

 

O Tato

 

Capacidade de perceber o contato sobre a pele, a dor, o calor e a pressão.

Na estrutura da pele e das mucosas ficam localizados os receptores do tato:

 

Ø        Terminações Nervosas Livres: percepção dos estímulos dolorosos.

Ø        Corpúsculos de Meissner: distinguem o tato propriamente dito (contato leve).

Ø        Corpúsculos de Pacini ou Vater-Pacini: percebem a pressão profunda.

Ø        Corpúsculos de Krause: percebem a sensação de frio.

Ø        Corpúsculos de Ruffini: distinguem as variações de quente.

 

 

 

2003 Amara Maria Pedrosa Silva

Autorizamos a reprodução do conteúdo desde que citados a fonte e o autor

 

Atualizado em: segunda-feira, 08 de agosto de 2005