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Robert Hooke

 

 

Gosta você de anagramas?

Pois veja o que pode tirar deste:

 

                C E I I I N O S S T T U V

 

 

Robert Hooke nasceu a 18 de setembro de 1635, na ilha de Wight, ao largo da costa sul na Inglaterra. Seu pai, que era o coadjutor local, tinha boa situação financeira, considerando-se a sua posição. Morreu, porém, quando Robert tinha 13 anos. Por isso, o filho foi para Londres, onde se tornou aprendiz de Sir Peter Lely, afamado pintor de retratos. Embora revelasse talento, Robert, que era criança doentia, não pôde continuar naquele serviço porque os óleos e as tintas despertavam suas alergias. Forçado a renunciar a um aprendizado que poderia ter-lhe sido promissor beneficiou-se mais tarde, entretanto, do treinamento artístico que adquirira.

 

Felizmente o pai lhe deixara 100 libras, soma relativamente grande naqueles dias, e assim ele pôde freqüentar a Westminster School. Aos 18 anos entrou para Oxford. Trabalhou para poder estudar na universidade, cantando no coral da Christ Church, servindo de camareiro e fazendo todos os biscates possíveis. Dotado de muitas habilidades, era um bom desenhista e ilustrador, podendo ainda trabalhar com madeira e metal. Acima de tudo era um bom estudante.

 

Em Oxford, Robert Hooke encontrou Robert Boyle e Christopher Wren. Boyle, brilhante e rico cientista, oito anos mais velho que Hooke, empregou o pouco simpático estudante como auxiliar de pesquisa de laboratório. Christopher Wren distinguira-se por seus trabalhos de geometria e em 1660 foi nomeado professor de astronomia em Oxford. Em 1663 Wren começou sua carreira de arquiteto, sendo ainda hoje famoso por haver desenhado a Catedral de São Paulo em Londres. A casa de Christopher Wren era ponto de encontro dos cientistas da Inglaterra. Serviu de local de reunião do “Colégio Invisível”, que mais tarde se tornou na famosa e importante Real Sociedade de Londres.

 

Muitos acreditam que grande parte da obra de Robert Boyle, inclusive a sua lei dos gases, haja resultado da capacidade intelectual e das habilidades mecânicas de Hooke. Na verdade, Hooke reclamou esse reconhecimento. Boyle, todavia, parece ter sido um homem de espírito muito justo, e quando a bomba de vácuo foi desenvolvida em seu laboratório publicamente reconheceu a autoria de Hooke, embora a bomba passasse a ser conhecida como máquina de Boyle.

 

Hooke desempenhava uma função muito interessante, e não-paga, na Real Sociedade. Antes de cada reunião ele preparava as experiências que os membros da sociedade desejavam demonstrar. Esse trabalho colocou-o a par de todos os ramos da ciência então existentes e permitiu-lhe aumentar suas capacidades experimentais.

 

A Real Sociedade recebia as longas cartas de Anton van Leeuwenhoek, que descreviam os seus maravilhosos achados no mundo microscópico. Leeuwenhoek trabalhava com uma lente simples de notável poder de aumento, e embora houvesse produzido muitas lentes, recusava-se a cedê-las. Robert Hooke, comissionado pela Real Sociedade para investigar o assunto, desenhou e construiu um microscópio composto muito prático. Usando sua habilidade artística fez notáveis desenhos de cerca de 60 peças microscópicas. O olho da mosca, a metamorfose de uma larva de mosquito, a estrutura das penas, um piolho, uma pulga, tudo isso e muito mais representado com grande aumento e meticulosa precisão. Esses notáveis desenhos foram publicados em sua Micrographia, em 1664. Hooke ensinou a fazer e usar o microscópio, mas em geral se atribui a Leeuwenhoek o nome de pai da microscopia. Homenagem merecida pelo muito que fez com tão poucos recursos, antes de Hooke. Atribui-se também a invenção do microscópio aos irmãos Hans e Zacarias Jansen, em 1581. Mas o assunto é controverso e grande o número dos que reclamam para si, ou para determinado pesquisador, o título de inventor do microscópio.

 

Em 1666 ocorreu o grande incêndio de Londres. Antes de dominadas as chamas, oitenta por cento da cidade havia sido destruída. Christopher Wren convocou Hooke para ajudá-lo em seu escritório de arquitetura. O plano da reconstrução de Londres, atribuído a Wren, foi desenhado por Hooke. Ele preconizava uma reconstrução baseada em plano retangular, cruzando-se as ruas em ângulo reto. Foi rejeitado, não por ser inadequado, mas pela oposição dos donos dos edifícios que ainda restavam de pé. Como resultado disso, Londres ainda se acha cheia de muitas ruas estreitas e quebradas.

 

Hooke foi um engenhoso fabricante de instrumentos. Aplicou o seu conhecimento da óptica às mensurações astronômicas e imaginou um quadrante com visores telescópicos e ajustamento por meio de parafuso. Inventou vários dispositivos mecânicos para trabalhos de levantamento marítimo, inclusive instrumentos de sondagem e dispositivos para coletar água em várias profundidades. As investigações meteorológicas progrediram com seu engenhoso anemômetro, seu barômetro de mostrador, seu pluviômetro e seus dispositivos para medir a umidade. Instituiu uma publicação meteorológica sob os auspícios da Real Sociedade. Pode ser considerado como o pai da previsão do tempo. Examinou a função exercida pela radiação solar e pela rotação da terra na determinação do tempo.

 

Cinco anos antes de Newton publicar o seu “Principia”, esboçando as atrações gravitacionais entre os planetas, Hooke proferiu conferência perante a Real Sociedade na qual revelou percepção da lei da gravitação universal. Dizia, em parte, que “todos os corpos celestes são de forma globular e diversos deles giram em torno de seus eixos. Se não houvesse neles essa força gravitacional, todas as partes soltas seriam projetadas para longe deles como uma pedra lançada por um estilingue”.

 

Newton formulara sua teoria gravitacional 10 anos antes, porém não a publicara. Quando ele finalmente publicou o “Principia”, Hooke ficou aborrecido porque achou que Newton usara parte de sua própria obra sem o mencionar. Esse incidente provocou muita acrimônia e discussão entre essas prima-donas cientificas.

 

Já resolveu o anagrama do começo desta história? A resposta certa é “Ut tensio, sic vis, expressão latina da lei de Hooke sobre elasticidade. Em 1676 Hooke enfiou esse anagrama numa publicação científica de natureza totalmente diversa. Desse modo, embora não totalmente seguro de todos os fatos, pôde fixar a data em que começou a desenvolver a idéia e assim estabelecer a sua prioridade. A tradução do latim é: “O estiramento é proporcional à força”. A lei de Hooke parece extremamente simples: se um quilograma estira de cinco centímetros uma certa mola, dois quilogramas estiram de dez centímetros a mesma mola, e assim por diante, dentro do limite de resistência da mola.

 

Hooke aplicou esse princípio imediatamente à invenção da balança de mola. Levou a balança e uma determinada massa ao alto da Catedral de São Paulo e tentou demonstrar que a força da gravidade decrescia à medida que ele subia. A teoria que serve de base a essa experiência afirma que a Terra exercerá atração gravitacional maior sobre a massa que esteja mais próxima do seu centro do que sobre a que se encontra mais afastada.

 

Sua análise da mola levou à invenção do relógio. O relógio de pêndulo estava em uso generalizado, mas tinha de ser mantido num mesmo lugar. Não se podia confiar nele quando usado em navios. E o relógio de pêndulo se atrasava à medida que se aproximava do equador em conseqüência da redução da gravidade nessa faixa. Hooke substituiu o pêndulo por uma roda catarina, ou balanceiro, e uma mola de cabelo. A idéia fundamental é esta: a mola de cabelo vibra com razão constante, para frente e para trás, em relação ao seu centro. Também aqui Hooke não teve sorte, pois Christian Huygens desenvolvera na França um sistema semelhante, que patenteara em 1675. Hooke conseguiu estabelecer a prioridade da descoberta, mas a patente de Huygens foi confirmada. Hooke esquecera-se de desenvolver sua própria invenção.

 

Hooke serviu como secretário da Real Sociedade de Londres e, embora haja renunciado ao cargo em 1682, continuou a apresentar contribuições científicas. Não casou, porém morava com uma sobrinha que fazia as vezes de dona de casa. Ela morreu em 1687 e o choque foi tão grande que Hooke ficou totalmente arrasado. Dois anos após a morte dele, em 1703, foram publicadas as suas notas – 400.000 palavras que revelavam a enorme extensão e variedade de seus interesses.

 

A ele se esquivaram a fama e o êxito terrenos, porém seu espírito original antecipara muitas invenções e teorias. Quando colocou a ponta de uma chave de fenda no seu relógio e o cabo de madeira no ouvido, e percebeu os ruídos do mecanismo do relógio, previu a invenção do estetoscópio, que ocorreu 150 anos mais tarde. Inventou a palavra “célula” para descrever a estrutura da cortiça que viu em seu microscópio e que ele comparou a um favo de colméia.

Como muitos outros cientistas de seu tempo, interessou-se pelo bem-estar social e concentrou-se em estudos que melhorassem as condições da humanidade. Atacou os problemas dos mineiros e dos agricultores de um ponto de vista prático.

 

Robert Hooke foi um espantoso gênio científico, que fez descobertas tão grandes como as de Newton, Huygens e Leeuwenhoek , mas hoje é principalmente lembrado por sua lei relativa à mola, “Ut tensio, sic vis”, e à descoberta da célula, princípio fundamental do estudo dos seres vivos.